Blog de Lanceiro


20/06/2008




Pânico

Toma água, senta-se, fuma.
Levanta-se, fuma novamente.
Anda, pensa, apaga luzes.
Olha tudo, janelas, portas.
Vai ao banheiro, urina.
Demora-se, lava o rosto,
Retarda, vacila, eternidade.

Ela espera lúcida, fria,
úmida, sensual, quente,
a pele reclama, aflora,
coxa-coxa, seios, aperta-se,
vira-se, sufoca o gozo,
respira, palpita, suspira,
Ouve passos, acelera,
aguarda, finge.

Afinal, deita-se.
Sua gelado,
lhe ronda o fracasso,
implacável derrota.
Ela insinua-se, provoca
mansinho, coração galopa.

Súbito espasmo incontrolado,
inoportuno, fora de hora,
furioso, molhado, nervoso.
Ela percebe, no cio, afasta-se.
Encolhe-se, envergonhado,
e aos soluços, chora.

Escrito por alanceiro às 14h44
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18/06/2008




Seiva

Chispa ágil e veloz,
corres pelo meu corpo e
dominas secretos espaços,
rubro escravo, acorrentado.

No ir e vir, estreitas passagens,
andaste por discretos caminhos,
meus nervos, meus remansos,
os mais escondidos recantos.

Navegas pelos meus labirintos,
descobres esconderijos, atalhos,
me tomas no melhor espasmo,
mais vivo, contigo, em mim.

Às vezes, sem que eu peça,
me invades inteiro, pulsas;
outras, me abrandas espaços
e aquietas meu peito.

Amigo de tantas jornadas,
aliados num resto de gente,
um dia, seguiremos inertes,
unidos sem luz, para sempre.

Escrito por alanceiro às 16h53
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