
Espelho
Eu e eu mesmo, só,
comigo e mais ninguém,
sombra de mim, reflexo
de um corpo cansado
que se olha no espelho,
solidão do meu mundo,
escuro do meu ser.
Eu e eu mesmo, imerso
na angústia que me assola,
nas perguntas que me faço,
sem eco e sem respostas,
para as minhas ansiedades,
meras aflições de macho
comum e medíocre,
implorando atenção e afeto.
Eu e meus não contados defeitos,
inumeráveis, não declaráveis,
desconhecidos sombrios,
escuros, escusos,
e minhas raras virtudes.
Eu e meus amores perdidos,
que me inspiram no frio
teclado da vida,
que me excitam e me
intumescem os nervos,
rotina implacável e segura.
Eu e minhas vividas paixões,
imaginárias, inacabadas,
gélidas no desejo forçado,
no gozo sem graça,
que desfalece e se esvai
nas lembranças de uma
vida que não foi.




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