
Anônima
Ah! misteriosa sem nome,
é tanta a fome de te conhecer,
que já te vejo nos meus sonhos,
nos meus devaneios e nas
indagações que me corroem
diante de ti, querida anônima.
Por que invades assim o
meu canto, amada intrusa?
Por que me negas teu espaço?
Tua áurea, tua ilha de amor,
teu jeito, tua imagem sem rosto,
tua quente e intocada flor?
Aqui, também és minha musa.
Me dei esse direito,
ainda que não me ofereças
a chance de compartilhar
tua doce e curiosa intimidade
e assim enxergar o teu perfil insano.
Quem és tu? Eu me pergunto,
e, implorando um sinal, tanto,
imediato te digo, vem pra mim!
E me desnuda a tua excitante timidez,
a tua obscura sensualidade,
ou o teu caro recato,
um dia, quem sabe...




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