
Virtual II
De novo te busco, te quero, te chamo.
De novo te perco, num instante te esqueço.
Procuro nos rostos, nos olhos, semblantes,
no comp, com o mouse, no blog, no site,
nervoso, excitado, ansioso,
meus dedos e mãos delirantes.
De novo te busco, te quero, te chamo.
Nas fotos, estás entre os outros:
amigos, parentes, senhoras, senhores,
antigos e novos, meninos, meninas,
teu nome reclamo; sozinho imagino
meu sonho maluco e cretino.
De novo te busco, te quero, te chamo,
nas fisionomias vãs, alegres ou tristes,
chorando, sorrindo, assim de mansinho,
imagem sem rosto, imagem da imagem.
Meu coração aflito, de novo em conflito
à procura de ti.
De novo te busco, te quero, te chamo.
Onde é que tu estás e te escondes?
Debaixo do meu teclado,
atrás da tela que me nega a ti,
e de novo te perco, emaranhado
nos chips e fios da memória desta
máquina que na verdade sou eu,
solitário e infeliz.




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