
Resende
Dos meus dezenove àgora, mais de trinta.
Num emaranhado de lembranças, vislumbro
em instantes tuas mais significativas imagens.
Passeio nostáugico, jamais triste...
Como se voasse bem alto, revivo todo um passado,
da Oliveira Botelho ao calçadão dos Campos Elíseos,
passando pelas Igrejas da Matriz, de São Sebastião,
de Santa Rita e da Capelania, junto à Academia Militar.
Lembro-me dos teus colégios mais famosos,
em cujos muros e calçadas tantas vezes namorei,
o Olavo Bilac, o Dom Bosco, as normalistas
do Santa Ângela. E das lanchonetes mais freqëntadas,
o Rei do Salgadinho, o bar do Caçula,
o bar do Português e o Pontão.
Percorro os bairros Manejo, Nova Liberdade,
o Lava-Pés, o Alto dos Passos, o Surubi,
Itapuca e Paraíso, o Monte Castelo e o Guararapes,
cada qual com seu encantamento próprio.
Detenho-me um segundo sobre a ponte velha;
de um lado e de outro, admiro o Paraíba do Sul,
a jusante e a montante, caudaloso rumo ao Rio.
Ergo a vista para o pico das Agulhas Negras,
desço até a serrinha do Alambari,
a oeste, no sopé da montanha;
a leste, vejo a Vargem Grande e o Pirapitinga,
para além da Rodovia Presidente Dutra,
e me emociona a exuberância da tua natureza.
Que saudades daqueles belos anos,
minha amiga!
E de ti, que me acolheste tão jovem
e me acompanhas, de longe, até hoje.




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