Blog de Lanceiro


27/10/2007




Bodas de Prata

Esbelta menina moça que te vi.
Linda garota com pose de princesa.
Delicados traços da tua fisionomia.
Beleza que me possuiu marcante
desde o momento em que te conheci.

Olhos grandes, escuros como a noite.
Rosto bonito, forte semblante.
Lábios perfeitos, sorriso sem par.
Longos cabelos castanhos lisos.
Do caráter adornos perfeitos, pressenti.

De média para cima a altura,
Membros longos, esperta, esguia.
Empinados seios sob a blusa anil.
Mini-saia branca enfeitando as pernas.
Olhar atento quando deu por mim.

Da moça que amou aos dezessete anos
à namorada, noiva, mulher querida.
Das mãos dadas ao primeiro beijo,
ao toque mais carinhoso e sutil.
Companheira amada, amante, fiel amiga.
Depois, os rebentos frutos, doces meninos.
Uma vida inteira e aqui chegamos.

Prodigioso amor que desafia o tempo,
que se fez por si na presença constante,
que vivo permanece na agrura avante.
E que mais forte fica com as lindas heras
dessa jóia-símbolo que hoje ostentamos.

Escrito por alanceiro às 10h23
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Boneca de Pano

Ainda me lembro de ti, doce menina,
daquele teu cabelo comprido,
tão liso, fino, escorrido,
que não segurava fita nenhuma.
Ah! quantos puxões neles levaste,
porque nada parava, eles não paravam...

Ainda me lembro de ti, doce menina,
daqueles teus olhos bem negros,
enormes, qual duas jabuticabas maduras,
emoldurando o teu rostinho de princesa pobre,
adornando a tua beleza simples,
o teu corpinho magro e desajeitado.

Ainda me lembro de ti, doce menina,
da tua criancice faceira, travessa,
apesar da tua frágil aparência, da tua pele tão branca,
que de longe mostravam a moça linda que ficaste,
dos tombos da bicicleta emprestada,
dos arranhões, das brigas pequenas,
do tamanho dos teus quatro ou cinco anos.

Ainda me lembro de ti, doce menina,
e acho que já te amava mesmo sem te conhecer,
e te imaginava correndo pelas ruas do Monte Castelo,
ou andando pela casa numa manhã de inverno,
com aqueles cabelos lindos, despenteados,
já te amava sem saber o quanto,
arrastando chão afora, pelos cantos,
a tua inseparável boneca de pano.

Escrito por alanceiro às 07h14
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