Blog de Lanceiro


03/10/2007




Libriana

És mistério e verdade pra mim.
Qual livro aberto, te enxergo e
te admiro inteira.
Carinhosa, meiga e sensível,
com todos comprometida.
Pra você, tudo parece definitivo;
ajuda o próximo, dá-lhe amor
sério e responsável.

Como ninguém, sentes a natureza,
as flores e os bichos.
Tens horror às maldades do mundo;
és romântica e pensas muito mais nos outros.
Idealizas o amor e o sexo,
viajas acordada, navegas nos sonhos,
e quando te entregas, é mais de alma
que de corpo.

Tenha menos de escrúpulo!
Seja menos ética!
Não confia tanto nas pessoas!
Coloca-te em primeiro lugar!
E seja feliz!

Escrito por alanceiro às 11h09
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02/10/2007



Sintonia
Parece até que a gente combina.
Na paz do escuro do quarto, na madrugada,
sem que nenhum de nós se manifeste,
despertamos quase ao mesmo tempo,
meus braços te estreitando mais um pouco,
enquanto tua boca busca a minha, ainda sonolenta,
como se estivesses só esperando, paciente,
e damos início a um longo e apaixonado beijo,
que só vai silenciar bem mais tarde,
quando retornarmos ao sono.
Percorro teu corpo numa carícia prevista
e já te encontro muito úmida e pronta para mim,
e num instante, sem perceber, estou dentro de ti,
suave e delicado encontro de pura magia.
Aí, nos detemos um pouco, nos beijando sempre,
retardando os movimentos mais belos do nosso amor.
Inadiáveis agora; então começamos da forma mais tranqüila,
intensificando-os lentamente, porque naquele momento
procuramos ansiosamente o paraíso de nós dois,
o que acabamos encontrando juntos,
num gozo indescritível que só pode ser coisa divina.
Ainda pulsando dentro de ti, ofegantes,
vamos nos acalmando aos poucos, felizes,
para adormecermos novamente,
amplamente recompensados.

Escrito por alanceiro às 08h49
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Dama da Noite

Que saudades sinto de ti, dama da noite,
das madrugadas frias da minha terra,
quando andando pelas ruas da cidade,
procurava amor nos teus braços,
e no calor do teu corpo me encontrava.

Que saudades dos inferninhos de Ipanema,
das tardes em tua companhia, enlevados,
num convívio amigo, íntimo, no meu colo,
num gostoso jogo de cartas, pif-paf,
amava teus carinhos, teus beijos comprados.

Que saudades da Avenida Mauá,
da Voluntários, da Sete de Setembro,
onde fui ainda garoto para descobrir o amor,
por pura curiosidade, tremendo de medo,
quantas vezes lá voltei pra te encontrar.

Que saudades da meninice levada,
do Citroen preto que me conduzia desvairado,
dos encontros furtivos, do amor desconhecido,
do roçar das tuas coxas quando dançávamos,
da tua lascívia forjada, do meu gozo apressado.

Que saudades de ti, minha musa da noite,
de um gostoso passado, das paixões de momento.
Ficarás na minha lembrança para sempre,
de um tempo solto, feliz, sem compromisso,
de todas vocês, numa só, saudosa dama.

Escrito por alanceiro às 08h32
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