Blog de Lanceiro


20/08/2008




Sandra

Hipnotizado diante da tua foto,
entorpecido pelo teu olhar fixo,
para muito longe, não pra mim,
sério e triste, mas muito doce,
me sinto confuso, emocionado,
repleto de uma enorme ternura,
buscando palavras, desesperado,
e me pergunto o que a vida fez
contigo, por que tanta amargura?

Nada que eu escreva vai retratar
com clareza o que vê meu coração.
Sentimento confuso, misto, ambíguo,
que me traz a tua fisionomia forte,
amadurecida, sempre fascinante,
como o foi a menina que conheci.

Te vejo distante e tão perto,
talvez lembrando... como se
quisesses estar comigo, revivendo
aquele tempo da minha meia idade,
em que convivi com a moça
mais linda que já tinha visto.

Pra mim, bonita é muito pouco
para definir o teu rosto de madona,
na calma que me faz sonhar até hoje,
acordado, sem querer me afastar,
morrendo na tua expressão serena,
vibrando no formato dos teus lábios,
de uma sensualidade indescritível,
tremendo para te fazer justiça e
esconder a minha mediocridade.

Fazer o quê? Me conformar se
não conseguir te descrever.
Terá sido mais uma prova de que
o que vejo vem de muito além
da humana capacidade poética.
Transcendente à simples imagem,
agora guardada para sempre
na minha alma apaixonada,
presa a um tempo passado,
que reaparece agora e
toma conta do meu ser.

Escrito por alanceiro às 09h41
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12/08/2008




Tapete

A penumbra da sala, o calor da lareira,
a música lenta, o som que sai leve,
o convite pra dança, de rosto colado;
o beijo na orelha, o roçar dos cabelos,
dedos na nuca, proximidade com limite,
a precavida distância, o medo,
a intenção sacana do abraço apertado,
o roçar das coxas que agita os sexos,
as bocas se buscam,
as línguas se reconhecem.

Corações acesos reacendem lembranças
passadas; agora faladas, dolorida saudade;
sopradas as velas, de vez apagadas,
solitária mesa da sala vazia, inerte,
poltronas inúteis, só roupas jogadas,
tuas roupas íntimas, ínfimas,
sobre móveis desertos;
as taças de vinho aquecem
do frio que ruge lá fora.

Beijos já não esperam, impacientes,
o recato posto de lado, dando lugar às
carícias ousadas de dois corpos nus,
dois corpos num só, no tapete da sala,
aconchegante, macio, quente, como
teu sexo, que me chama, que me recebe,
que me abriga quase materno.

Meu sangue lateja;
é o entorpecer suave do vinho,
juntando-se ao gozo inadiável
que explode, de mim, de você,
entre abraços, amassos.

Esquecidas as taças,
num canto da sala
nem sabem por quê.

Escrito por alanceiro às 08h30
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01/08/2008


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Escrito por alanceiro às 10h18
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31/07/2008




Apenas...

Imagino coisas
quando nos olhamos,
beijos que trocamos,
carinho, os abraços,
faces unidas, olhares
que não escondem
o sentimento que nos atrai.

Corpos que já se conhecem,
que se tocam, se querem;
não se importam com a ética,
completamente insensíveis
ao nosso freio moral.
Acima de tudo, a consciência
plena de que não evoluirá disso,
nada mais, além de uma bela
e consistente amizade.

Mas, nem tudo controlo;
humano, mesmo sem querer,
fantasio o lugar em que acontece,
de onde me chamas,
estudado impulso;
vou quase correndo, num pulo,
há ninguém que nos impeça,
te chegas bem junto a mim
e me declaras o teu amor.

Talvez já saibas o que sinto,
jamais o confessarás, és sábia;
e demasiado nobre para isso,
muito menos eu, não tão nobre...
Enquanto isso, meu amor aguarda;
fazer o quê? Não o domino,
espera um dia, não tanto,
um beijo apaixonado, só!
quem sabe?

Apenas...

Escrito por alanceiro às 16h22
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28/07/2008


Cinema

 

As luzes se apagam, a sessão inicia.

Você vem pro meu lado, de mansinho; 

levanto a namoradeira, fico mais perto,

você também, encostamos um no outro.

Saudade, desejo inadiável, damos as mãos.

O simples contato me deixa excitado,

você também, muito úmida, pronta.

 

Continuamos nos acariciando,

os nossos corações explodem, 

batidas saem pela boca,

a respiração ofegante,

a ausência de ar,

desmaio momentâneo.

 

O escuro convida, roço tuas coxas,

você vibra e retribui nas minhas,

no interior delas, decidida...

Nos viramos de frente 

e iniciamos um longo beijo,

primeiro e último de nossas vidas.

 

Lábios grudados, começamos a nos sugar,

retardando o introduzir simultâneo das línguas,

afoitas para o início de um enlace perfeito,

segundos e eternidade, forte, sensual, intenso,

preparando o próximo passo, a união dos corpos,

bem apertados; sinto a pressão dos teus seios

junto a mim, agora, de fêmea no cio.

 

Bem juntinhos, os sexos se encontram,

ainda protegidos pelas vestes,

numa posição nada confortável,

detalhe efêmero que, no momento,

nem de longe é percebido

pelas nossas mentes em fogo.


Escrito por alanceiro às 21h53
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23/07/2008




Encontro

Teu corpo latente
me chama de noite
pro céu do teu mundo.
Guardas um calor escondido,
sensual, tamanho, proibido,
que sobe e que desce,
que vai e que vem.

Alimentas um frio pensamento fixo,
da luxúria cega que plantaste no meu peito,
fosse um veneno ao mesmo tempo
suave e forte, de alento e de morte,
num chão que ora se perde ou se vai;
de espera por um encontro estranho,
sumido, lampejo perdido, encanto...

Nos envolve um amor sem remédio,
uma paixão de serpente, escuso, perverso,
que inquietante me atrai cada vez mais,
sem muito esperar; mesmo assim,
em tudo compensa o assédio constante,
a busca, a procura incessante,
o falar delirante,
de mim, de você.

Escrito por alanceiro às 09h20
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19/07/2008


Desejo II

(resposta de alguém especial)


Quero e desejo,

mil vezes suas palavras,

seus beijos suas mensagens,

seus abraços, seus afagos,

seus olhares, seus sorrisos,

seus sonhos, suas intimidades.

Tudo isso e mil coisitas mais...


Quero e desejo

a cada instante, em cada momento,

em cada pensamento, o aroma, o ardor da sua pele,

a vibração do seu sentimento.

E na escuridão do meu quarto,

na minha mente, a sua presença é real.

Desejo, quero e sinto... Seus gestos delicados

cada milímetro do teu corpo, cada pedacinho do teu rosto,

da tua boca, dos teus lábios, dos teus traços, tua face,

dos teus olhos” que muito me dizem,

espelho da tua alma, da minha carência,

suspiro da minha saudade, das nossas vontades,

o pulsar do teu peito junto aos meus seios,

o latejar do nosso sexo de pleno prazer,

em movimentos sensíveis ... suaves, sensuais,

o delírio ... o pulsar ofegante, na hora do amor.


Telepaticamente,

na escuridão do meu quarto,

este amor suspirado, ansiado, esperado.

quero e desejo, um olhar penetrante,

almejo um infinito de pensamentos,

de delírios... de pulsar e agitar o meu ser,

de me e expor a ti, de me dar ao teu ser,

de me confirmar as suas letras,

de querer, desejar e sentir você

atraída cada vez mais, impulsionada rumo a você.

cada segundo quero a tua emoção o seu amor,

cada olhar, cada sentimento, cada palavra, cada elogio.


Quero e desejo

Mas querer é poder... e poder é querer e poder é perigoso

Ficar com sorriso à toa, cada sorriso para que ninguém

descubra, cada cuidado, para que não perceba,

este sorriso enigmático, sorriso de satisfação de amor pleno.


Quero e desejo

E não sinto isto parte de uma traição.

Amar as letras, enamorar-se dos sentimentos,

Querer ser amada por palavras

Desejar ser amada por sentimentos nobres

Amar o poeta sensível, amante do romantismo

Querer, desejar, sonhar, sentir e amar

As palavras do amado poeta ...

E amar e amar e desejar será pecado? Sei lá?

Desejo e quero.

Escrito por alanceiro às 15h03
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16/07/2008




Obsessão
Me viro, reviro, de longe relaxo,
não durmo, não esqueço, um sonho
agitado, lembrando nós dois.
Desmaio, não vejo, desperta o desejo,
sossego se perde, sei lá que me dá.

Intensas imagens, de coxas, de seios,
me encosto no nada, encosto em você.
esmago teu corpo, teu rosto, tua boca,
o abraço gostoso, tão longe, tão perto,
estreito no espaço que esbarra no meu.

Escuro, sombrio, me remexo, perdido,
já vai, não agüento, demora, não passa,
te prendo, te agarro, te aperto, vem gente,
te afasto, te largo, já voltas pra mim.

Quentura me invade, delírio, tortura,
vontades, anseios, te beijo, agora,
não vejo saída, o peito se agita,
teu colo, teus braços, um novo gemido.

Ternura profunda, ardente,
juntinha, me sentes, te sinto,
me tomas, sem medo, com graça,
tão meiga, teus lábios molhados,
tua língua, mia língua sugando teu ser,
num raro deleite, eu entro em você.

Abrigo guardado, liberto, apertado,
adentra meu peito, de novo agitado,
confuso, excitado, eu vou me entregando,
coração em chamas, navego pulsando,
no doce abandono do teu vaivém.

Mil juras ao vento,
um calor sem limite,
sufocas, me escapas,
acordo suado, o corpo comigo
não é mais o teu.

Escrito por alanceiro às 12h14
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14/07/2008




Desejo

Leio mil vezes cada letra
da mensagem escondida,
indireta, a que mais adoro,
desejo contido, reprimido,
o beijo desejado, molhado,
abraço não dado, sonhado,
o toque de amor, da tua pele,
a vibração da tua intimidade,
sutileza de sentimentos,
o modo como revelas, ou escondes,
a incerteza dos teus gestos, atitudes,
o agitar frenético do próximo passo,
o faço ou não faço, escrevo ou não,
a excitação de um novo avanço,
indeciso, mas em direção a mim,
cada milímetro do teu corpo,
de cada pedacinho do teu rosto,
da tua boca, dos teus lábios,
dos teus traços, tua face,
dos teus olhos que nada me dizem,
espelho da tua paixão, da tua carência,
suspiro da tua saudade, da tua vontade,
o pulsar dos teus seios junto a mim,
o latejar do teu sexo pensando no meu,
os movimentos suaves do teu ventre,
o amor esperado, ansiado, desejado,
o arfar do teu peito, o teu suspirar profundo,
a tua respiração ofegante, na hora do amor,
o infinito pensar antes de pôr nas linhas,
de se expor ante a mim, de me dar o teu ser,
de me confirmar o que sentes,
a indecisão das tuas medidas,
sempre tão tímidas, nada afoitas,
que me atraem cada vez mais,
que me impulsionam rumo a você,
o pulsar do teu coração agitado, como o meu,
a energia direcionada à minha,
cada segundo da tua emoção e amor,
cada olhar e ouvido para ver se não vem alguém,
cuidado para que ninguém descubra,
cada instante do teu suave gozo,
ou do teu intenso gozo,
o teu e o meu.

Escrito por alanceiro às 10h47
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Shopping

De calça, de saia,
de blusa avançada,
sandália, de salto,
tamanco, sapato
pequeno, bem alto,
é gente contente,
andando aparente,
pra lá e pra cá,

Pessoas nervosas,
meninas e moças,
amantes, amigos,
rapazes mais jovens,
senhores mais sérios,
moleques levados,
vazios, de boné.

A moça de preto,
de olhar no infinito,
no rosto estampado
o amor tão sonhado.
O trio parecido,
a dama apressada,
casais que namoram
carícias ousadas.

O grupo que chega,
mochila nas costas,
na gangue, na roda,
a cerveja na lata,
o suco no copo,
a garrafa de coca,
o chopp gelado,
bebida que alegra.

Perfil definido,
rapaz solitário
que busca seguro
nos sons e ruídos
barulhos, gemidos
o futuro da noite

Crianças falantes,
de chão e de colo,
com berços andantes,
as mãe distraídas,
de filhas perdidas
nem olham pra mim.

Escrito por alanceiro às 10h30
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23/06/2008




Inspiração II

Esperas ansiosa,
lugares, estradas,
o céu do teu mar.
Tuas vagas espessas,
de luas, de sonhos,
no azul das estrelas,
me queres por lá?

Vislumbro teu mundo,
distante estou eu,
de sonhos, de medos,
de avessos desejos,
dormir no teu colo,
imagino teu rosto
colado no meu.

Caminhos estreitos,
perfeitos eu sei,
olhar de serpente,
paixão e luxúria
tua boca bem quente,
nas nuvens, vermelha,
em busca de mim.

Te dou de presente
meu gozo guardado,
sonhando e cantando
o amor proibido,
o beijo sonhado,
o olhar escondido
unindo-se ao meu.

Saudosas auroras
de flores, quimeras
de amor primavera,
no outono, quem dera,
sensível e latente,
me clamas contente
pra dentro de ti.

Escrito por alanceiro às 17h00
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20/06/2008




Pânico

Toma água, senta-se, fuma.
Levanta-se, fuma novamente.
Anda, pensa, apaga luzes.
Olha tudo, janelas, portas.
Vai ao banheiro, urina.
Demora-se, lava o rosto,
Retarda, vacila, eternidade.

Ela espera lúcida, fria,
úmida, sensual, quente,
a pele reclama, aflora,
coxa-coxa, seios, aperta-se,
vira-se, sufoca o gozo,
respira, palpita, suspira,
Ouve passos, acelera,
aguarda, finge.

Afinal, deita-se.
Sua gelado,
lhe ronda o fracasso,
implacável derrota.
Ela insinua-se, provoca
mansinho, coração galopa.

Súbito espasmo incontrolado,
inoportuno, fora de hora,
furioso, molhado, nervoso.
Ela percebe, no cio, afasta-se.
Encolhe-se, envergonhado,
e aos soluços, chora.

Escrito por alanceiro às 14h44
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18/06/2008




Seiva

Chispa ágil e veloz,
corres pelo meu corpo e
dominas secretos espaços,
rubro escravo, acorrentado.

No ir e vir, estreitas passagens,
andaste por discretos caminhos,
meus nervos, meus remansos,
os mais escondidos recantos.

Navegas pelos meus labirintos,
descobres esconderijos, atalhos,
me tomas no melhor espasmo,
mais vivo, contigo, em mim.

Às vezes, sem que eu peça,
me invades inteiro, pulsas;
outras, me abrandas espaços
e aquietas meu peito.

Amigo de tantas jornadas,
aliados num resto de gente,
um dia, seguiremos inertes,
unidos sem luz, para sempre.

Escrito por alanceiro às 16h53
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11/06/2008




Espelho

Eu e eu mesmo, só,
comigo e mais ninguém,
sombra de mim, reflexo
de um corpo cansado
que se olha no espelho,
solidão do meu mundo,
escuro do meu ser.

Eu e eu mesmo, imerso
na angústia que me assola,
nas perguntas que me faço,
sem eco e sem respostas,
para as minhas ansiedades,
meras aflições de macho
comum e medíocre,
implorando atenção e afeto.

Eu e meus não contados defeitos,
inumeráveis, não declaráveis,
desconhecidos sombrios,
escuros, escusos,
e minhas raras virtudes.

Eu e meus amores perdidos,
que me inspiram no frio
teclado da vida,
que me excitam e me
intumescem os nervos,
rotina implacável e segura.

Eu e minhas vividas paixões,
imaginárias, inacabadas,
gélidas no desejo forçado,
no gozo sem graça,
que desfalece e se esvai
nas lembranças de uma
vida que não foi.

Escrito por alanceiro às 11h15
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05/06/2008




Minh'Alma
Pelo menos duas postagens,
as próximas, para mostrar
um lado mais sombrio
da minha alma inquieta,
ansiosa, que tanto me intriga
e me faz assim tão atraído
para as demais ao meu lado,
também em busca de emoções,
sem as quais nada seriam.

Ela usa meu corpo, indiferente
aos meus fatigados reclamos,
cheia de ternura pelo próximo,
explodindo nos cinco sentidos,
isso você já deve ter notado.
E reclama quando percebe que,
em carne e osso, não a acompanho,
frágil matéria não mais de menino,
embora ela não aceite esta
dura constatação.

Ele, o meu corpo, mesmo não lhe
suportando o pique, segue-a,
obediente, corre atrás dela,
cativo da sua vibração nervosa,
sem muita escolha, sem escolha,
arrebatado por ela,
dominado e submisso.

Escrito por alanceiro às 11h30
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BRASIL, Sudeste, CAMPINAS, JARDIM CHAPADAO, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Spanish, Livros, Bebidas e vinhos, vinhos e bebidas

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